Métodos Alternativos à Experimentação Animal Uma nova forma de produzir e ensinar ciência

O que são métodos alternativos?

Os métodos alternativos — também chamados de métodos substitutivos — são abordagens científicas que buscam reduzir, refinar ou substituir o uso de animais em atividades de ensino e pesquisa. Não existe uma lista única que reúna todos estes métodos. Eles variam conforme a área de pesquisa, os objetivos experimentais e o tipo de conhecimento que se deseja produzir.

"Pensar em métodos alternativos vai muito além de procurar substitutos diretos para o animal dentro de um experimento. Trata-se de reavaliar o próprio modo de fazer e de ensinar ciência." — Karynn Capilé, pesquisadora da UFPR

Onde e como eles se aplicam?

Os métodos alternativos estão presentes em quatro grandes campos da ciência: pesquisa básica, pesquisa aplicada, testes regulatórios e ensino. Embora o ensino não seja um tipo de pesquisa, costuma ser tratado conjuntamente nas legislações e diretrizes nacionais e internacionais. Os métodos que usam animais (in vivo) podem ser substituídos por métodos in vitro, in silico, in chemico e in data (ciência de dados).

Pesquisa básica

Voltada à compreensão dos processos fundamentais da vida

  • Utiliza métodos in vitro, como cultivo de células, organóides e órgãos-em-chip;
  • E métodos in silico, como modelagem computacional para simular funções biológicas e interações moleculares e testar hipóteses.

Pesquisa aplicada

Busca transformar o conhecimento científico em soluções práticas

  • Utiliza a ciência de dados, como grandes bancos de dados clínicos, epidemiológicos e de saúde populacional que permitem identificar padrões e gerar hipóteses sem necessidade de novos experimentos com animais;
  • E métodos in silico, como modelos computacionais.

Testes regulatórios

Voltados à avaliação de segurança e eficácia de produtos para uso humano, animal ou ambiental

  • Utilizam métodos in chemico, como testes para sensibilização cutânea;
  • Métodos in vitro, como pele humana reconstruída para corrosão e irritação e métodos para detectar irritação ocular;
  • E modelos in silico, como previsão de toxicidade.

Ensino

Permitem o aprendizado técnico e o desenvolvimento de habilidades sem causar sofrimento animal

  • Simuladores digitais e físicos, modelos anatômicos e softwares interativos;
  • E uso ético de cadáveres doados após morte natural.

Uma transformação em curso

Embora o avanço técnico seja significativo, o desafio é cultural. “O modelo animal, por ser historicamente disponível e familiar aos pesquisadores e docentes, acabou se tornando uma ferramenta superestimada", aponta Karynn Capilé, pesquisadora da UFPR. A insistência nesse formato, avalia, reforça o viés de confirmação e limita o avanço científico. Para a pesquisadora, usar animais como modelo para estudo de condições humanas altamente influenciadas por fatores ambientais e sociais é extremamente questionável do ponto de vista científico e metodológico. "O mais inteligente é substituí-los por métodos com maior robustez e poder de predição”, conclui.

A mudança exige mais do que novas tecnologias, exige uma revisão de valores.
CRIADO POR
Raissa Hübner

Créditos:

Material elaborado como recurso para o trabalho final da disciplina de Linguagem e Texto Jornalístico IV, do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, no segundo semestre de 2025. Informações de Karynn Capilé, pós-doutoranda em bem-estar animal na Universidade Federal do Paraná (UFPR) que tem se dedicado à formação ética e técnica de quem atua nas Comissões de Ética no Uso de Animais (CEUAs) e à promoção de métodos alternativos para o ensino e a pesquisa. Ela também é responsável pela área de bioética da ONG Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. Imagens do banco gratuito do Freepik. Página web e reportagem por Raissa Hübner.