por que A CORRIDA?
Após aprender a andar, a primeira atividade física que os seres humanos tem contato é a corrida. Até mesmo para brincar de pega-pega é preciso saber correr. Sem limite de idade, usando apenas o próprio corpo, podendo estar descalço ou dando uma "carreira" em qualquer lugar e momento. Fato é que a habilidade parece tão enraizada que alguns até podem esquecer que a corrida é um esporte com regras e diversas modalidades, que exige uma preparação complexa - especialmente aos interessados em competir.
Pace é o ritmo médio que um atleta leva para completar um quilômetro, então quanto melhor o pace, mais rápido ele corre. O termo tem ganhado fama nas redes sociais e fora delas, mostrando a gradual popularização da corrida de rua. Porém, apesar de sua importância, a velocidade não define a corrida, sendo mais marcante curtir o processo. Por isso, a fotorreportagem a seguir observa a preparação de um grupo para a Corrida Cidade de Aracaju, conhecendo o que os motivou a iniciar e os resultados que a prática tem trazido. Além de ainda acompanhar o esperado dia da prova.
GRUPOS DE CORRIDA
por trás das cores
Quem já visitou a Orla de Aracaju numa manhã de sábado, pôde desfrutar de um arco-íris de camisas e tendas que preenchem a avenida. Cada cor serve para identificar uma assessoria de corrida, serviço que tem sido muito procurado pelos atletas e iniciantes que buscam competir.
Qual o motivo dessa procura?
Apesar de poder correr sozinho, preparar-se inclui uma rotina de alongamento adequada. Com o auxílio de profissionais da educação física, os corredores possuem planilhas personalizadas e suporte a todo momento.
Adriano Carvalho Assessoria
Socialização
Dentre os múltiplos benefícios que a corrida oferece, o que mais tem atraído novos adeptos é a interação que a corrida promove entre os participantes e a sensação de pertencimento que compartilham entre si.
Socialização, de acordo com a Sociologia, é o processo pelo qual o indivíduo é integrado na sociedade. A corrida, assim como qualquer outro esporte, é um campo de ação e vivências sociais, onde normas e comportamentos são aprendidos.
A Associação Internacional de Maratonas e Corridas de Rua de Londres (AIMS, 2004) mostra que as corridas de rua vêm crescendo mais como busca de participação do que competição. Para Gonçalves (2001), a socialização é um dos incentivadores que propulsiona as pessoas a praticar esportes. Poder compartilhar metas, objetivos e processo em grupo é fundamental e essencial nesse ambiente.
virada de chave
Até alguns anos atrás, Fernando Pessoa, 46, não conseguia manter um chocolate parado no armário. Poderia recusar uma cerveja, mas a sua fraqueza mesmo era o docinho. Passou a maior parte da vida estando acima do peso, mas por não ser algo que o incomodava, nunca buscou se cuidar e não tinha uma boa relação com os exercícios. Viajava todos os dias para o interior à trabalho e foi relaxando até atingir os 140kg:
“Relaxei, engordei, emagreci e engordei de novo. Fui à nutricionista, mas não seguia nada que ela passava. Não tinha mais ânimo para perder peso. Estava decidido a fazer a bariátrica. Mas na noite antes de marcar, sonhei que morria na mesa de cirurgia”
O sonho, que mais era um pesadelo, foi o impulso necessário para enxergar a atividade física como necessidade de vida.
Eu via a atividade física como uma obrigação. Hoje, por causa de Adriano e a galera [do clube AC], eu corro por prazer.
Vale lembrar ainda que, no início, Fernando se envolveu em dietas restritivas e sem ajuda profissional. Mas agora cuida bem da sua saúde e come de tudo sem extrapolar, melhorou a alimentação e inseriu frutas e nozes para balancear. Uma das frases que ele aderiu no processo é:
Eu treino para comer, até porque ninguém aguenta fazer dieta para o resto da vida.
No início de sua vida esportiva, Fernando foi incentivado pelo seu irmão a correr e combinava o esporte com crossfit. Na época, treinava apenas 5 km e 10 km, mas foi chamado por amigos para correr os 21 km da Meia da Conceição, que também acontece em Aracaju.
Conseguiu concluir a corrida, porém, por não ter se preparado da forma correta e antecipadamente, sentiu uma lesão no joelho esquerdo, precisou parar e engordou 7 kg. Procurou acompanhamento e quando encontrou o clube de Adriano, sentiu-se acolhido e motivado para retomar o foco em sua saúde e continua até hoje.
A tão esperada corrida
A Corrida Cidade de Aracaju, apelidada pelos atletas de São Cri Cri, é a corrida mais procurada no Norte e Nordeste do país. Realizada pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte (Sejesp), a competição acontece nas comemorações do aniversário da cidade e relembra a história da mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju. O percurso conta com três opções de quilometragem para os corredores: 24 km, 10 km e 5 km e nesse ano, todas terminaram na Praça Fausto Cardoso, no Centro da atual capital sergipana.
A cada edição que passa, o número de inscritos aumenta. Mas de 2023 para 2024, o salto foi de 3000 inscritos a mais, totalizando 9000 corredores - isso sem contar com vários atletas que não conseguem garantir sua vaga a tempo e correm na "pipoca", ou seja, sem pagar pelo kit de participante.
Ressaltando o teor histórico da corrida, a rota é composta por pontos importantes para o estado, entre eles: a Praça Getúlio Vargas, o conjunto Eduardo Gomes e a Rodovia João Bebe Água, todas em São Cristóvão. Em Aracaju, alguns trechos importantes são a Desembargador Maynard, Barão de Maruim - projetada em 1910 e abarcava os principais casarões no passado de Sergipe- e a Ivo do Prado, podendo ainda desfrutar da vista do Rio Sergipe e da Ponte do Imperador, monumento tombado que foi essencial para receber D. Pedro II em Aracaju no ano de 1860.
Fotorreportagem desenvolvida por Gabrielle Lima e Larissa Xavier.