A tentação de Jesus e Dostoiévski
Por Valdir Steuernagel Ando olhando os relatos dos Evangelhos quanto ao ministério público de Jesus e acabei encontrando-me com a batismo e a tentação como movimentos que o antecederam. Ao focar na tentação, percebi que ela já foi interpretada muitas vezes, indicando sua importância.1 Uma dessas interpretações é a do escritor russo Dostoiévski, no romance Os Irmãos Karamázov, com destaque para o segmento intitulado “O Grande Inquisidor”. Nele, Ivan, o agnóstico, diz ao seu irmão crente, Aliócha, que escreveu um poema e lhe pede “uns dez minutos” para poder discorrer sobre ele, ao que o irmão responde: “Sou todo ouvidos”. Ivan, então, nos leva para dentro da narrativa da tentação de Jesus. O cenário no qual o poema é construído intriga, pois tem lugar no século 16, em Sevilha, na Espanha, “no mais terrível tempo da Inquisição, quando, pela glória de Deus, as fogueiras ardiam diariamente no país”. Então Jesus aparece, “em silêncio, sem se fazer notar”, mas todos o reconhecem, pois atua como no seu tempo, tocando e curando as pessoas, enquanto as multidões o cercam de todos os lados. Logo emerge, na praça central, ao lado da catedral, o cardeal, que não é senão o grande inquisidor, que já havia mandado à fogueira centenas de hereges. Ele, ainda que seja “um velho de noventa anos, alto e ereto, rosto ressequido e olhos fundos”, para, olha, vê o que está acontecendo, até que ordena aos guardas que prendam a Jesus; o que acontece a seguir. Preso, numa “prisão apertada, sombria e abobadada”, ele recebe, na madrugada, a visita do próprio cardeal, que, inquirindo-o, lhe diz: “Por que vieste nos atrapalhar? Pois vieste nos atrapalhar e tu mesmo o sabes”, para logo lhe comunicar que, no dia seguinte, seria queimado “como o mais perverso dos hereges”. O poema é longo até chegar “ao essencial do que o velho precisa dizer” a Jesus: “O espírito terrível e inteligente, o espírito da autodestruição e do nada [...] o grande espírito falou contigo no deserto, e nos foi transmitido nas escrituras que ele te haveria tentado”. Ato contínuo, Jesus é recriminado por ter rejeitado as ofertas recebidas com a nota de que eles, o “reino”, representado pelo cardeal, “corrigiram tua façanha”, escutaram a este espírito “terrível e inteligente”, impedindo que Jesus prosseguisse com sua postura. E o poema parece terminar: “Repito que amanhã verás esse rebanho obediente, que ao primeiro sinal que eu fizer passará a arrancar carvão quente para tua fogueira, na qual vou te queimar porque voltaste para nos atrapalhar. Porque se alguém mereceu nossa fogueira mais do que todos, esse alguém és tu. Amanhã te queimarei”. Então “Ivan parou”, acalorado por sua fala. Nela o cardeal acusava Jesus de ter desperdiçado a chance de assumir as rédeas da história diante das enormes ofertas que lhe foram feitas. Essas ofertas – o milagre, o mistério e a autoridade – encapsulavam “toda a futura história do mundo e da humanidade”. São essas três forças, ele continua, as únicas “capazes de vencer e cativar para sempre a consciência desses rebeldes fracos para sua própria felicidade”. E Jesus as rejeitou, pois não havia compreendido que o “homem é mais fraco e foi feito mais vil” do que havia pensado. Esperou demasiado dele e, por fim, demonstrou falta de compaixão. As tentações eram ofertas fortes e reais, mas rejeitadas. Se, na primeira delas, na ordem de Mateus, ele tivesse transformado pedra em pão, a “humanidade agradecida e obediente” correria atrás dele, desde que o pão não faltasse. Na segunda, ele poderia ter agarrado a espada de César e, na terceira, poderia ter “concluído tudo o que o homem procura na Terra, ou seja, a quem sujeitar-se, a quem entregar a consciência e como finalmente juntar todos num formigueiro comum, incontestável e solidário, porque a necessidade da união universal é o terceiro e o último tormento dos homens”. E, como num arremate, ele diz: “Se aceitasses o mundo e a púrpura de César, terias fundado o reino universal e dado a paz universal. Pois quem iria dominar os homens senão aqueles que dominam suas consciências e detêm o seu pão em suas mãos?”. Mas, como ele não o fez, eles o fizeram, corrigindo-o, como dito pelo cardeal: “Nós tomamos a espada de César e, ao tomá-la, te renegamos, é claro”. E insiste: “Corrigimos tua façanha e lhe demos por fundamento o milagre, o mistério e a autoridade. E os homens se alegraram porque de novo foram conduzidos como rebanho e finalmente seus corações ficaram livres de tão terrível dom, que tanto suplício lhes causara. Podes dizer se estávamos certos ensinando e agindo assim?”, ele pergunta. Um constrangedor silêncio se instala e Jesus, de repente, “se aproxima do velho em silêncio e calmamente lhe beija a exangue boca de noventa anos. Eis toda a resposta. O velho estremece [...], vai à porta, abre-a e diz a Jesus ‘Vai e não voltes mais [...] nunca, nunca’”. Então “o prisioneiro vai embora”.2 O beijo, e não a fogueira, é a marca do reino de Jesus. E esta é a verdadeira esperança. Uma esperança que aprende a dizer com Jesus: “Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele” (Mt 4.10).
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