SINOPSE
E NUNCA AS MINHAS MÃOS ESTÃO VAZIAS, de Cristian Duarte em companhia, reúne nove artistas em uma dança que faz do encontro um campo instável de produção de presenças. Sons, gestos e palavras emergem de seus repertórios ativados ao vivo, compondo e descompondo sentidos continuamente, como um tecido que tensiona e distensiona em cada presença que se manifesta. O que se cria ali — no entre — só é possível porque não se está só. A obra se constrói como a soma das perspectivas e da convivência como método e matéria. Não se trata de uma narrativa única, mas de uma escuta radical às singularidades em relação. Estar junto na diferença é a condição para resistir, inventar e continuar. Esta dança insiste na coletividade como gesto político. O que ainda nos resta mover quando quase tudo parece ruir?
RELEASE
E NUNCA AS MINHAS MÃOS ESTÃO VAZIAS — de Cristian Duarte em companhia — reúne nove artistas de formações e repertórios diversos em uma dança que faz do encontro um campo instável e vivo de produção de presenças. A obra propõe uma experiência sensível de convivência radical, em que sons, gestos e palavras são acionados ao vivo, compondo e descompondo sentidos em constante transformação. Não há narrativa única. A singularidade de cada artista se inscreve na cena como matéria e método, acionando um organismo coletivo que pulsa entre o caos e a escuta. O que se cria ali — no entre — só é possível porque não se está só. A convivência é tratada não como harmonia, mas como atrito capaz de reinventar modos de estar junto em tempos de fragmentação. Inspirada no poema “Apesar das ruínas e da morte”, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, a obra também evoca a persistência do sonho e da ação em contextos de guerra. O título, imortalizado na voz de Maria Bethânia, dá corpo a uma coreografia feita de cacos, memórias, ruídos e desejos, que se articulam em uma dramaturgia estruturada, mas aberta ao risco e à vitalidade da improvisação cênica. Com um elenco que dança, fala e sonoriza ao vivo, E nunca as minhas mãos estão vazias propõe uma experiência labiríntica em que as fronteiras entre corpo, som e palavra se embaralham. Como aponta o crítico Renan Marcondes, a obra ativa um modo de presença “sempre junto e nunca igual”. Rodrigo Monteiro destaca a ativação de uma “democracia radical” em cena, em que as hierarquias tradicionais entre criação e execução são constantemente tensionadas. Marcio Tito sublinha como a peça, por meio de suas atmosferas densas e gestos multifacetados, invoca um Brasil repleto de camadas: “Um país-continente cindido, inseguro de sua fisionomia, mas potente em produzir pensamentos e revoluções diárias”.
CRÉDITOS
Uma produção de Cristian Duarte em companhia
Coreografia, Criação e Direção Cristian Duarte Criação e Dança: Aline Bonamin, Allyson Amaral, Andrea Rosa Sá, Danielli Mendes, Felipe Stocco, Gabriel Fernandez Tolgyesi, Leandro Berton, Maurício Alves e Paulo Carpino Acompanhamento dramatúrgico: Júlia Rocha Concepção sonora e Figurinos: em companhia Performance sonora: elenco Iluminação: André Boll/Santa Luz Fotografia: Mayra Azzi e Haroldo Saboia Vídeo-registro: Iago Mati Realização/Suporte/Produção no desenvolvimento: Casa do Povo, MoviCena/Rafael Petri Produções Produção: Bonobos Produções Artísticas Ltda - uma criação de Cristian Duarte /em companhia realizada por meio do edital da 32ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura.
Cristian Duarte /em companhia é uma iniciativa do coreógrafo Cristian Duarte para para estar, criar, produzir, difundir, co/mover o pensamento e excitar a percepção com dança. Ao afirmar o “estar em companhia”, propõe um modo coletivo de fazer que valoriza a presença, o afeto e o trânsito entre saberes. Com reconhecida atuação em contextos nacionais e internacionais, investe em experimentação, formação e na força política do bando.
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Cristian Duarte é dançarino, coreógrafo e diretor com trajetória no Brasil e no exterior. Formado pelo Estúdio e Cia Nova Dança (São Paulo) e pela P.A.R.T.S. (Bruxelas), sua prática artística tem sido marcada pela criação de contextos de experimentação e formação em dança. Criou obras para companhias como o Cullberg Ballet (Estocolmo) e o Balé da Cidade de São Paulo, além de iniciativas de formação e experimentação como APT?, DESABA, LOTE e Z0NA, que investigam modos de estar, fazer e aprender em dança. Duarte também atua como professor e coreógrafo convidado em instituições de ensino e pesquisa reconhecidas internacionalmente, como a DDSKS – Danish National School of Performing Arts (Copenhague), P.A.R.T.S. (Bruxelas), SICW – Seoul International Choreography Workshop (Seul), DOCH/SKH – Stockholm University of the Arts (Estocolmo), UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e a Arizona State University – ASU The Design School (Arizona, EUA).
TRAILER
VÍDEOS
Câmera subjetiva:
Câmera fixa:
FOTOS
CRÍTICAS-IMPRESSÕES
"A clareza da proposta da trilha, dos textos e das vocalizações o suporte perfeito para a poderosa sincronia entre os corpos, as atmosferas e as cenas que se desenham sem anúncio prévio – E Nunca As Minhas Mãos Estão Vazias... Citando Breyner desde o título, e, assim, fazendo o público rememorar também os primeiros versos do poema clássico, o espetáculo apresenta as profundezas de um Brasil imagético, telúrico, cheio de atmosferas e não-lugares possíveis pela voz de uma encenação que investiga o espírito deste mais país-continente, cindido, permanentemente inseguro acerca de sua verdadeira fisionomia e, sobretudo, capaz de produzir pensamentos e filosofias que diariamente ganham maior responsabilidade na revolução que todo o mundo anseia." – Por Marcio Tito - Publicado em 10 de junho de 2024 por Deusateu
"...O solo onde se dança torna-se, aos poucos, um caldeirão onde coexistem futebol, moda, dança clássica, carnaval, modernidades, o tradicional, mas também o medo, o grito, a manifestação, a exibição, o grotesco e o privado. Tem o dado de construção e ruína constante dos trópicos, conseguindo a difícil tarefa de ser muito sincero sobre a condição de um Brasil pós governo Bolsonaro, usando inclusive de clichês de brasilidade, e conseguir não tornar a peça um clichê de Brasil em si (talvez para a tristeza de curadores internacionais)." por Renan Marcondes_lá . textos para danças - Janeiro 2024
"...Algo já investigado em outros trabalhos de Cristian Duarte em companhia, a atmosfera sonora não é apenas um mero fundo musical para a dança; muito menos algo que orienta e determina o movimento. O looping das captações de sons, compostas por grunhidos, gritos, palavras, frases completas, onomatopeias e pequenos trechos de canções, entram no jogo e compõem coreograficamente tanto quanto as movimentações de cada dançarina e dançarino. Tal atmosfera sonora cria um tempo presente que resgata o que acabou de passar, lança-o no futuro próximo, mas retoma tudo para o agora, que é onde o trabalho incita ficar. Outra característica que faz menção a trabalhos anteriores, e que encanta ainda mais a crueza da presença de E nunca as minhas mãos estão vazias, é o uso do rosto e de suas expressões, que, como passos de dança que também são, coreografam a dimensão do sutil." por Rodrigo Monteiro_OblÍqua – Dezembro 2023
"#Guerra, #racismo, #homofobia, #misoginia, #transfobia, #capacitismo, guerra e mais guerra em alta. Muito alta. E, ao lado, raros criadores que não tapam os seus ouvidos para o mundo do lado de fora." por Wagner Schwartz
"...Há uma inteligência coreográfica admirável nesta peça. No modo como este fluxo ininterrupto se sustenta e ao mesmo tempo se faz abertura para o inesperado. Inesperado para nós público pois aquilo q emerge justamente são imagens pré definidas pelo coreógrafo e coro. E reside exatamente nesta repetição coreográfica tão viva, a potência de E nunca minhas mãos estão vazias. Mesmo imersos num mundo em decomposição: há a possibilidade de acontecimentos poéticos de rara beleza." por Daniel Fagus Kairoz